Sempre me interessei pela ditadura, por como o processo se deu, pelos personagens envolvidos, pelo golpe em si e sobre como tudo se passou durante esses anos que nas aulas de historia são descritos de forma tão corriqueira.

Claro que nesse processo li alguns livros e assisti a alguns documentários. Uns muito bons, outros mais rasos. Hoje achei que assistiria a mais um que ajudaria a contar a história do país em conjunto com a de uma pessoa que não era muito descrita nos demais: Carlos Marighella.

Qual foi minha surpresa ao sair do cinema mais impressionada com o homem que com a historia em si. Ah, mas é claro, né?! É uma biografia! É, é sim, mas de uma historia construída sob uma ideologia política. Um cara que foi mais do que aquilo em que acreditava, foi a liberdade em sua forma mais racional e ao mesmo tempo apaixonada.

Com uma capacidade intelectual indiscutível, Marighella poderia ter enveredado para outros caminhos, poderia ter sido um artista ou em sua luta política ter se portado como um comandante, um general, desses que planejam e depois sentam e esperam seus soldados agirem. Ao contrário, ele se colocava junto a eles – como descrito no documentário – em uma estrutura horizontal.

Dentro dos elementos apresentados na tela, o que se pode notar é que ele e sua ideologia eram um. Fica difícil entender como ele existiria sem a resistência ou como a resistência existiria sem ele.

Os depoimentos emocionados corroboram a sensação do expectador, Marighella era mesmo uma pessoa fascinante. E não há como descrever o brilho nos olhos ou a expressão de sua grande amada, Clara Charf ao falar dele, mesmo ao descrever as intempéries a que a relação entre os dois, sua família e amigos era submetida diante da forçada vida clandestina.

Sobre a legitimidade ou não da luta armada encabeçada por ele, não cabe a esse texto tratar, o que se pode afirmar com certeza é que nesse documentário se conta mais que uma biografia, retrata-se do legado de um homem que viveu intensamente na luta por seus ideais sem jamais perder a ternura.

PS: O documentário está em exibição em apenas uma sala de cinema em São Paulo, não faço ideia de como ta no resto do país.

Anúncios

Nesta semana, dia 23 de agosto, comemoramos 100 anos do nascimento do jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de interesse pela língua portuguesa PRECISA conhecer a obra deste homem.

Nelson foi um sujeito multimídia em uma época que essa palavra nem sequer existia. Ele escreveu dezessete peças de teatro, nove romances, cinco contos, quatorze livros-crônicas, inúmeros artigos para jornal e comentários esportivos (torcedor fanático do Fluminense do Rio até seus últimos dias). Sem contar as 24 adaptações de sua obra para o cinema e diversas outras para televisão.

Se este grande nome da comunicação brasileira vivesse em nossa época, é possível dizer que ele teria mais seguidores no Twitter do que muita gente que é intitulada “influente” pela mídia nas redes sociais. Digo isso porque Nelson Rodrigues falava sobre o popular, sobre gente, sobre aquele comportamento que todo mundo tem, mas não tem coragem de admitir, como ele mesmo dizia falava sobre o óbvio e não tem nada mais instigante do que dissertar sobre comportamento cotidiano dentro de uma sociedade, ainda hoje, careta e moralista como a nossa.  Como o próprio se definia: “Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino)”.

Sua abordagem singular passou a servir de referência e a partir de certo momento, tudo que era produzido e possuía sua influência era chamado de Rodriguineano.

Para quem quiser tirar a prova do que estou falando indico o primeiro livro que li de Nelson Rodrigues, seu nome é “Meu Destino é Pecar” e conta a história de uma moça que se vê obrigada a casar com um homem rude para saudar dívidas familiares. Após o casamento vai morar com o marido e sua família em uma fazenda. Enquanto ela planeja fugir acaba tornando-se prisioneira no lugar e ainda se apaixona pelo irmão de seu marido.

Fica aqui nossa singela homenagem a esse grande gênio das letras que a frente de sua máquina de escrever, a base de muitas xícaras de café sem açúcar, escreveu de maneira única sobre como a vida realmente é.

Posted by Denis Prado

Twitter: @DenisPrado

Eu e meus amigos de trabalho costumamos almoçar em um restaurante onde há muitos quadros de técnicas variadas e diferentes estilos pendurados por todo o ambiente. Certa vez, reparamos que os quadros não só estavam lá para tornar o ambiente mais agradável, mas estavam a venda. Não se trata de cópias de obras famosas, nada disso. Eram obras de autoria de artistas casuais e desconhecidos, para mim ao menos, bem intencionados e que, provavelmente, não tem na venda sua principal fonte de renda.

Será?

Um quadro simples, bem feitinho até, com uma paisagem comum, um barquinho e uma casa saía pela barganha de R$600,00 em média. Bobeira se comparado a um outro que ficamos nos divertindo tentando decifra-lo. Era um punhado de pinceladas desconexas que fizeram meu lado direito do cérebro pedir licença pra ir ao banheiro. Diversão garantida na sua parede por módicos R$800,00.

De onde surgiu tal valor não sabemos, assim como não sabemos de onde vem toda a relevância de certa arte contemporânea. É abstração demais e significado de menos. Ou melhor, é significado atribuído demais pelas pessoas certas, o que me leva a crer que grande parte da produção artística recente não passa de picaretagem com seus sem fim de ferros retorcidos, figuras disformes e multidões nuas.

Admito a resistência a entender melhor o que veio depois de “A fonte” de Marcel Duchamp que, descobri dia desses, era uma forma de provar que qualquer coisa era passível de virar arte. E ele estava certo. Mas o que era a exceção virou regra. Sob o auspício dos olhares certos e devidamente financiado, uma lata de fezes pode ganhar espaço em uma exposição e ares de genialidade.

“A fonte”, de Duchamp. Qualquer coisa pode ser arte.

E além de ser em boa parte oportunista e vazia, a arte contemporânea é invariavelmente feia. Não agrada ao intelecto e muitos menos aos olhos. Particularmente prefiro especular portfólios de artistas de concept art, de ilustradores ou de design pela internet à ver uma exposição esquisita cheia de obras que parecem ferro derretido ou pinturas que lembram as toalhas de mesa da minha avó.

E evidentemente o problema não se resume apenas à quadros e esculturas, mas atinge também a arquitetura. Tudo funcional demais e nada aconchegante, quase sempre sem a menor harmonia entre as construções, e quase tudo, novamente, feio.

“Mas que diabos você entende ou conhece de arte pra dizer essas coisas?” perguntarão alguns. O suficiente para distinguir o bom do ruim, o belo do feio e o oportunista do autêntico. Não é muito, mas já salva de certas enrascadas.

Mas tudo isso foi para chegar até o ponto de recomendar alguns documentários que tratam justamente deste debate sobre o antagonismo entre o clássico e o contemporâneo que achei interessante compartilhar e cujas indicações peguei num artigo do André Forastieri (link aqui), que trata do mesmo assunto com muito mais propriedade que eu, e outro uma indicação que encontrei meio sem querer pela internet.

Um deles são os 13 episódios de cerca de 50 minutos cada de “Shock of the new” (O choque do novo), de Robert Rughes, mais voltado exatamente para a arte moderna. É extremamente relevante e bem completo para quebrar justamente a resistência ao contemporâneo e entender melhor os significados e a importância da arte do nosso tempo.

Mais conservador, Kenneth Clark e seus oito episódios de “Civilisation” fazem um panorama não só da arte, mas da história da Europa clássica. Afinal, para entender arte é preciso entender o período histórico em que ela se dá.

Mas como introdutório do conflito entre clássico e moderno, vale a pena ver “Why beauty matters (Porque beleza importa.), do filósofo Roger Scruton, que já apareceu até nas páginas amarelas de Veja.

Todos são da BBC e estão disponíveis no Youtube e são encontrados para downloade pela internet. Infelizmente, os dois primeiros não têm legendas em português. Mas o de Roger Scruton tem.

Não dá pra se tornar uma sumidade em arte com este material, claro. Mas é uma ótima introdução, agradável de assistir, e provavelmente esclarece porque não dá pra pagar R$800,00 nas pinceladas desconexas do restaurante do começo do texto. Nem que tívessemos esta grana.

Posted by Kleber Macedo.

Acabei de chegar, ainda pisando em ovos… penso na pauta, penso no perfil, repenso ambos.  Tomo coragem e lá vem… Vamos falar sobre pop!

Essa história toda de ipobre, mp13 e demais dispositivos eletrônicos para ouvir música me tornou meio limitada. Meus adversários de Songpop já sabem meu ponto fraco “Today’s Hits”. Não sei quase nada do que toca nas rádios, mas dia desses zapeando na tv vejo um clipe do Justin Bieber. Desligo? Mudo de canal? Não! Meus oponentes vão se ver comigo semana que vem! E aí lá vem a surpresa, eu conhecia a música, já a tinha ouvido. Ai, gente, o JB regravou N’Sync? Cê jura? Bem, não foi o caso, mas foi quase. A música e o clipe são uma espécie de releitura do hit “Girlfriend”, lançado em 2002.

Não que a tal releitura seja uma coisa muito nova, um apelo dos novos artistas. Isso sempre existiu, mas o problema é ver como a cultura pop está se devorando como um oroboro cada vez mais curto. Daqui a pouco a cabeça e a cauda serão uma coisa só! Será?

Justin Bieber no clip de “Girlfriend”.

Minhas experiências musicais cada vez me levam mais pra o passado, e as vezes é preciso voltar pro presente e olhar bem o que foi feito com aquilo que ouso chamar de início. Não vou entrar aqui na discussão de quando começou o pop ou de como defini-lo, mas vou falar então da explosão da criatividade, da liberdade que os jovens aspiravam e inspiravam. Anos 60, Stones, Pink Floyd, Beatles e as inúmeras estrelas da Motown Records. Bom, eles também buscavam inspiração em algo. Quantas acusações de plágio já foram feitas ao Led Zeppelin?

Ousando ainda mais é possível que a culpa seja até da crítica e dos fãs.

– Cara, você já viu o clipe da Chorumile? Nossa, é incrível!

– Não! Sério? Mas é tipo o que?

– Tipo Cher, sei lá… uma coisa meio andrógena, mas com uma batida mais pesada.

Aí você  vai ver e Chorumile parece a Joelma com as roupas da Silvete Montila fazendo um show de travesti – que é muito melhor feito pelas inventoras da arte, aliás. Mas isso fica pra outro post.

Conclusão: a comparação faz parte do dialogismo, o dialogismo está em múltiplos aspectos da existência humana. É tudo uma grande conversa baseada em conhecimentos que vieram de outras partes.

Sejamos sinceros e honestos, o novo precisa vir, precisa de espaço, mas ousar no showbiz hoje é mais perigoso que nunca. Uma escorregada e seu lugar no topo é tomado pela primeira Chorumile que aparecer. Isso custa milhões e não em vendas de discos, mas de contratos pra shows, pra anúncios e etc.

Talvez os espaços estejam ficando mais curtos por causa da acessibilidade as produções musicais. Ou talvez seja mais fácil botar as fichas numa proposta já aceita. Por que Lady Gaga usa tantas referências de Madonna? Certamente não é porque a Madonna é uma cantora pouco conhecida ou porque sumiu com o tempo.

Posted by Damaris dos Santos

Depois de uma longa espera, Joss Stone lança seu sexto álbum intitulado “Soul Sessions Volume 2”. Em seu novo trabalho, a inglesinha nos presenteia com releituras de compositores da soul music como Eddie Floyd, Terry Callier, Sylvia Robinson entre muitos outros.

A carreira desta mocinha segue uma linha um tanto quanto diferente de outras cantoras de sua idade. Enquanto a maioria delas utiliza elementos mais e mais pop deixando suas composições cada vez customizadas e sintéticas para o mercado já estabelecido, Joss consegue a cada disco desenvolver  mais seu estilo próprio, cheio de referências, porém sem deixar de ser moderno e bem classudo.

O Soul Sessions 2 , junto com os dois últimos discos da cantora (Color Me Free de 2009 e LP1 de 2011), mostra uma maturidade absurda para quem está hoje com apenas 25 anos de idade e 9 de carreira. Nele irão encontrar toda a alma e o coração de uma cantora, aparentemente despretensiosa, que tem tudo para se tornar uma grande diva do soul music mundial.

Confiram a faixa 3 “While You’re Out Looking For Sugar”

Posted by Denis Prado

Twitter: @DenisPrado

Tivemos este ano, me corrijam se estiver errado, duas adaptações de quadrinhos. O aguardadíssimo (e não sem justificativas) “Os Vingadores” e “O espetacular Homem-Aranha” que, apesar do nome, não é assim tão espetacular. Nos dois filmes, como em tantos outros, trata-se de super-heróis quase que indestrutíveis e com poderes extra-humanos. Batman, pelo contrario, é mundano e conta com algumas traquitanas financiadas com seu dinheiro e alguma habilidade conquistada com muito treino.

Quase todo mundo sabe disso, é bem verdade. Mas o fato de ele ser um dos mais meramente humanos dos heróis implica, diretamente, que seus inimigos, nos filmes ao menos,  o sejam tanto quanto. No que resulta que, ao invés de ameaças intergalácticas ou coisas assim, Batman enfrenta psicopatas com ódio e inteligência extremas. Não é diferente na conclusão da trilogia do Homem-Morcego em “Batman – O Cavaleiro das Trevas ressurge”.

O caos, desta vez, responde pelo nome de Bane. E diferente do vilão anterior, o inesquecível Coringa, que queria a bagunça pelo mero prazer de ver a sociedade se desestruturar, Bane tem um propósito que não poderia ser de um tipo de mente senão uma doentia: subjugar as autoridades e fazer justiça social soltando bandidos e aprisionando todas as demais esferas da sociedade, principalmente, claro, os ricos de Gothan City. Isso tudo para dar-lhes uma lição.

Por um bom momento o filme dá a impressão de que vai sociologizar a culpa. Principalmente nas falas da mão-leve Selina, a Mulher-Gato, justificando que as pessoas decidem roubar porque a sociedade é injusta. O discurso não cola nem com todo o charme dela. Pelo contrário até, as ações de Bane causam tamanho desconforto que não há como não querer que ele, e qualquer bandido, estejam mesmo é na prisão.

Selina, mão leve e lindíssima: “Vocês deixaram tão pouco para o resto de nós”.

O diretor Cristopher Nolan deixa claro de que lado está. E é com a ideia do afrouxamento da segurança pública, como estopim para que sujeitos como Bane se sintam a vontade para agir, que ele demonstra. E o estado de coisas em que o “povo” deixa Gothan é de tal forma degradante, que um emblemático confronto entre os policiais e os bandidos parece uma batalha medieval. Não li nada a respeito do filme ainda. Mas me admira ninguém tê-lo chamado de fascista. José Padilha o foi com “Tropa de Elite”, e pelos mesmos motivos.

Nolan desenvolveu uma maneira sem igual hoje de construir um filme. “Cavaleiro das Trevas ressurge”, a exemplo de seus outros filmes, é um crescendo que envolve desde a degradação física de Batman (de novo o mundano. Ele apanha, muito, e tem as consequências) até a trilha sonora, novamente impecável, que vai agonizando o espectador, deixando-o quase sem expectativa de que a coisa vá se resolver. É uma técnica na verdade. Mas Nolan conduz isto com maestria.

Não acreditava que fosse possível superar o filme anterior que tem, de fato, momentos incomparáveis. Mas não só este novo Batman supera, no todo, seu antecessor, como também, e de longe, seus competidores no gênero. A proximidade com a história em quadrinhos “Cavaleiro das Trevas” (reparem como Bane parece demais fisicamente com o líder dos mutantes da revista e a narrativa também muito similar) é outro ponto a favor do herói, que não só ressurgiu, mas se superou.

Posted by Kleber Macedo

Uma princesa, um rei generoso, ursos com com comportamento humano, uma feiticeira em um história doce. Todos os elementos de um tradicional conto de fadas da Disney. Só que é da Pixar. E aí tudo muda.

Merida é uma princesa de um humilde reino da Escócia e, como mandava a tradição, devia ser prometida à um nobre de outro reino que seria escolhido por suas virtudes. Mas ela não é uma princesa comum.

E é no momento em que se rebela contra a própria mãe pelo direito de escolher seu próprio príncipe, e não um dos patéticos pretendentes que se esbofeteiam por ela, que “Valente” se distancia dos clássicos filmes da Disney.

E não para por aí. A primeira heroína da Pixar, ao contrário de praticamente todos os filmes de animação já feitos, não conta com um companheiro engraçado ou ranzinza que a acompanha o tempo todo na aventura. Não tem um inimigo clássico, um vilão a ser derrotado. Nem bichinhos que falam e… ninguém canta. Mais estranho ainda, não tem um romance.

A quebra com esses padrões é o grande trunfo do filme que, ainda assim, consegue ser tremendamente envolvente, divertido e surpreendente, pois não dá pra se ter a menor idéia do que realmente se trata a história através do trailer.

“Valente” faz justiça ao apuro técnico e ao cuidado com que a Pixar sempre tratou seus filmes no que diz respeito à estética e à fidelidade dos universos que cria. E se não vai figurar entre seus melhores filmes já feitos, certamente vai recuperar o estúdio do destrambelhado “Carros 2”.

Ainda talvez se refazendo da, digamos, perda de algumas de suas principais cabeças, como Andrew Staton e Brad Bird, que momentaneamente migraram para cinema tradicional, ou “live action”, e até mesmo John Lasseter, que assumiu muitas responsabilidades dentro da Disney, a Pixar mostrou com “Valente” que, se errou no ano passado, tem, sim, fôlego para retomar o rumo.

Postes by Kleber Macedo

Adaptações literárias para o cinema sempre me deixaram com o pé atrás. Tenho certa dificuldade de assimilar modificações na história original para que o filme tenha este ou aquele apelo, fugindo assim do que o autor da obra quis dizer.

No seu novo longa metragem  “Na Estrada”, adaptação do clássico beat “On the Road” de Jack Kerouac, o diretor Walter Salles teve mais acertos do que erros.  O filme retrata as aventuras vividas por Sal Paradise e Dean Moriaty em suas idas e vindas pelas estradas dos Estados Unidos.

Fiel na maior parte do tempo, Walter Salles soube retratar de forma bem clara o ambiente do final dos anos 40 nos Estados Unidos: a inconsequência da juventude pseudo intelectual de New York, as bebedeiras, as drogas, o jazz e a necessidade de encontrar respostas junto ao desconhecido que marcaram a geração estão muito bem retratadas no filme. Além da boa escolha de dois atores desconhecidos Sam Rilley e Garret Hedlund para os papéis de Sal e Dean respectivamente, o filme conta com as ótimas interpretações de Amy Adams, Kirsten Dunst e, pasmem, Kristen Stewart. Sim, senhores! A vampirinha está melhorando!

O bom filme merece ser visto na tela grande, embora a narrativa não tenha o frenesi intenso do livro a história está lá contada de maneira coesa sem deixar nada descosturado. Na Estrada é uma grande homenagem à vida e obra de Kerouac, a geração beat e tudo que ela representou. Quero muito estar errado mas, ao meu ver, o filme é para “iniciados”, não acredito que torne-se cult como o livro porque não terá o poder de agregar novos fãs,  mas só o de alegrar os velhos. Assistam e tirem suas conclusões.

Posted by Denis Prado

Twitter: @DenisPrado

Nós brasileiros cada dia mais sofremos com o empobrecimento das letras em nossas músicas. A cada novo lançamento somos inundados por onomatopeias mal feitas, por oportunistas do estilo que está bombando no momento e uma porção de produtores interessados somente nas cifras que irão obter e pouco preocupados com o resultado final da obra.

Não sou, nem nunca fui muito ligado em paradas de sucesso, mas acompanhem a tabela abaixo com as músicas mais tocadas nos últimos anos e tirem suas próprias conclusões. Só para exemplificarmos, compare a música mais tocada de 1979 com a de 2008… Difícil né?

A MÚSICA MAIS TOCADA NAS RÁDIOS BRASILEIRAS NOS RESPECTIVOS ANOS
1974 Feelings – Morris Albert 1993 I Will Always Love You – Whitney Houston
1975 Moça – Wando 1994 Breathe Again – Toni Braxton
1976 Juventude Transviada – Luiz Melodia 1995 Take A Bow – Madonna
1977 Amigo – Roberto Carlos 1996 Garota Nacional – Skank
1978 Night Fever – Bee Gees 1997 Un-Break My Heart – Toni Braxton
1979 O Bêbado e O Equilibrista – Elis Regina 1998 Immortality – Celine Dion & Bee Gees
1980 Balancê – Gal Costa 1999 Sozinho – Caetano Veloso
1981 Bette Davis Eyes – Kim Carnes 2000 Amor I Love You – Marisa Monte
1982 Muito Estranho (Cuida Bem de Mim) – Dalto 2001 Quem De Nós Dois – Ana Carolina
1983 Menina Veneno – Ritchie 2002 Love never fails – Sandy & Junior
1984 Sonífera Ilha – Titãs 2003 Tô Nem Aí – Luka
1985 We Are The World – USA For Africa 2004 Vou Deixar – Skank
1986 Greatest Love Of All  – Whitney Houston 2005 My Boo – Usher & Alicia Keys
1987 Livin’ On A Prayer – Bon Jovi 2006 Don’t cha –   The Pussycat Dolls & Busta Rhymes
1988 Faz Parte do Meu Show – Cazuza 2007 Big Girls Don`t Cry – Fergie
1989 Bem Que Se Quis – Marisa Monte 2008 Extravasa – Claúdia Leitte
1990 Vision Of Love – Mariah Carey 2009 Circus – Britney Spears
1991 (Everything I Do) I   Do It For You – Bryan Adams 2010 TiK ToK – Ke$ha
1992 The One – Elton John 2011 Rolling In The Deep – Adele

Nossas letras estão cada vez mais pobres, as rimas medíocres e a falta de bom gosto parece algo oficial. Percebam, não estou entrando no mérito de estilos musicais porque gosto e admiro artistas de todas as praias, mas não consigo admitir uma letra que rima pegou com bombou!

Antecipando-me aos advogados do diabo que dirão: “Música para dançar não precisa ter letra boa.”, “Ah o artista veio da favela, não tem entendimento erudito para compor como o Chico Buarque.”, “Música que fala de sacanagem é assim mesmo.”

Respondo o seguinte:

1 – Música precisa ter letra boa sempre, não emburreço quando estou dançando. Vocês conhecem alguém que consegue ficar parado ouvindo “Não Quero Dinheiro” do Tim Maia, ou “País Tropical” do Jorge Ben? Músicas para dançar com letras boas.

2 – Ter pouca instrução não é sinônimo de mau gosto. Meu querido Cartola tinha apenas o primário e criou coisas lindas como “As Rosas Não Falam”, “Alvorada”, “Preciso Me Encontrar” entre muitas outras. Tem muita gente de nível superior por aí escrevendo coisas que fariam Vinicius de Morais revirar no túmulo.

3 – “Sacanagem é algo brasileiro, não temos como evitar nossa latinidade”. Concordo plenamente, mas é muito mais interessante abordar o tema com classe, deixando coisas subentendidas, do que pura e simplesmente explicitar a vulgaridade, nossa língua proporciona isso, escutem o refrão de “Bem Que Se Quis” da Marisa Monte. É lindo, é sacana, é simples e muito bem escrito.

Temos grandes músicas com ótimas letras em todos nossos ritmos musicais, não se satisfaçam com o medíocre, nem com o refrão que não diz nada, muito menos com alguém lhe dizendo que isso é bom porque todo mundo ouve. Vamos aguçar nosso censo crítico, pesquisar coisas que achamos interessantes e quem sabe um dia possamos dizer que isso que está acontecendo foi somente uma fase ruim.

Posted by Denis Prado

Twitter: @DenisPrado

Mudaram os rostos, mudou um tanto a cronologia, o tempo em que a história ocorre, mudou o inimigo, mas é o mesmo Homem-Aranha que todo mundo conhece, picado por uma aranha radioativa que dá ao insignificante, mas gênio precoce da ciência, Peter Parker, poderes incríveis.

Esse é problema dos chamados “reboots” (quando se reinicia uma franquia no cinema), a sensação incômoda de já ter visto tudo aquilo e a nova versão não trazer absolutamente nada de realmente novo para a série.  Em termos de adaptações de quadrinhos, raramente algo inovador vem à tona. Creio que só “Batman” conseguiu se revitalizar de forma realmente cativante.

E “O espetacular Homem-Aranha” sofre exatamente deste problema. Exceto pelas sofisticações que a computação gráfica permite, que deixam as cenas complexas de ação muito mais convincentes que as versões anteriores dos filmes do herói aracnídeo, e pelo ajuste da cronologia, colocando Gwen Stacy, representada pela belíssima Emma Stone, como primeira namorada de Peter Parker, pouca coisa mudou.

O inimigo desta vez é o Lagarto, resultado de uma experiência mal fadada do Dr. Curt Connors, um cientista gentil que quer salvar a humanidade, possibilitando que seus membros amputados ou defeituosos cresçam novamente. Sempre desconfiem de pessoas, qualquer pessoa, que quer salvar a humanidade ou transforma-la em algo melhor. É, talvez, a grande mensagem do filme. Por trás deste tipo gentil sempre tem uma mentalidade assustadoramente totalitária. Bem, as coisas saem do controle e Nova Iorque fica sob ameaça… de novo.

Nem tão engraçado, nem tão grandioso e sem ter nomes de peso, outro azar do filme foi ser lançado sob a sombra não muito distante de “Os Vingadores” que, por hora, parece ter esgotado a Marvel. Vai ser difícil fazer algo de um herói solo que se aproxime daquilo. Não bastasse, na rabeira vem o aguardadíssimo novo filme do Batman, “O Cavaleiro das Trevas ressurge”.

Há de se destacar o bom trabalho de Andrew Garfield como Parker/Homem-Aranha, que adicionou um aspecto mais irônico do que Tobey McGuire, o que é uma característica marcante do herói, e Marin Sheen como Tio Ben, mais duro e sincero com Parker que nas versões anteriores.

A boa química entre Garfield e Stone, boas cenas de luta, algumas piadas bem elaboradas e a tentativa de reconstruir a personalidade do Homem-Aranha no cinema compensam os defeitos citados acima e algumas outras falhas sutis de roteiro que deixam algumas pontas abertas. Como filme de férias, é válido. E embora esta nova versão tenha suas virtudes e, com boa vontade, até brigue de igual para igual com os dois primeiros da antiga, dificilmente algo de “O espetacular Homem-Aranha” vai superar na nossa memória a icônica imagem do beijo de Peter Parker e Mary Jane no primeiro filme.

Posted by Kleber Macedo.